2010/03/26

Património histórico mantém-se melhor se for usado - Souto Moura

Londres, 26 mar (Lusa) - O património histórico mantém-se melhor se for usado, independentemente da função, defendeu o arquiteto Eduardo Souto Moura, responsável pelo projeto de transformação do Mosteiro das Bernardas, em Tavira, em habitação.


O edifício - que era o maior de cariz conventual do Algarve e o único da Ordem de Cister na região -, vai ser transformado num condomínio de luxo composto por 78 "lofts" para fins residenciais. Fundado em 1509, o Convento das Bernardas acolheu durante três séculos religiosas oriundas de Tavira e de todo o Algarve, havendo ainda referências históricas à presença de monjas do Alentejo e Açores. Seriamente danificado na sequência do terramoto de 1755, o edifício foi vendido em hasta pública, em 1834, devido à extinção das ordens religiosas em Portugal, passando a acolher a Fábrica de Moagem e Massas a Vapor.


O arquiteto criticou a tendência para se criar "uma imagem artificial do património e se associar a uma coisa que tem de ser preservada para a cultura", o que muitas vezes resulta que edifícios fiquem abandonados ou caiam por não se encontrar aplicação.


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